Como é voar pela Ethiopian Airlines?

Economizar no valor da passagem e também no conforto? Bom, era isto que eu pensava toda vez que tinha que adquirir tickets de ida ao Brasil – trajeto mais longo que costumo viajar.

Desde que vim para a Índia em 2013 eu já voltei para o meu querido País várias vezes e entre as companhias aéreas que eu utilizei estão: Etihad, Qatar Airways, South African Airways, American Airlines…pois sempre tinha um “pezinho” para trás quando via os preços da companhia Ethiopian Airlines, por ser bem mais em conta achava que o avião poderia não ser tão confortável.

Durante estes meus anos na Índia eu já escutei de tudo sobre esta empresa: serviço de bordo precário, aeroporto em Addis Ababa muito ruim, atendimento péssimo, malas que sumiram, malas quebradas…enfim, tudo o que um viajante detesta.

Porém, como gosto sempre de tirar as minhas próprias conclusões eu resolvi encarar uma viagem por esta companhia aérea no último mês e posso dizer que não me arrependi.

As passagens de ida e volta para o Brasil por esta empresa estava 85 mil rúpias, e em outras companhias aéreas começava com 110 mil rúpias, para o período que eu precisava, ou seja, para duas pessoas (eu e o Dilip) economizei 50 mil rúpias (cerca de 2,5 mil reais).

Para o trajeto Delhi <-> Addis Ababa o avião é mais simples, sem a tela de tv na frente do assento, mas se você tiver um smartphone você pode acessar alguns filmes com um serviço que eles chamam de ‘home.com’. Neste trajeto (6 horas e trinta minutos) foi oferecido uma refeição e um snack, além de passarem várias vezes com o carrinho de bebidas (vinhos, sucos, refrigerantes, água de coco, água, cafés).

Avião mais simples da empresa Ethiopian Airlines – Foto por Camila Pimenta

Já para o trajeto Addis Ababa <-> São Paulo (doze horas e trinta minutos) o avião foi super bom, com filmes ótimos, duas refeições e mais dois horários para snacks e as bedidas que passavam várias vezes.

Lógico que a comida não era excelente, mas para ser sincera nunca experimentei em avião uma comida muito boa.

Uma das refeições da companhia Ethiopian Airlines – Foto por Camila Pimenta

Kit amenity Ethiopian Airlines – Foto por Camila Pimenta

Um dos snacks da empresa Ethiopian Airlines – Foto por Camila Pimenta

Sobre o problema referente às malas:

Eu não tive problema nenhum, mas para me prevenir eu fiz algo que eu aprendi em um vídeo de Youtube – coloquei um papel pedindo para manusear minha mala com cuidado, e passei aquele plástico de proteção.

Mala empacotada para não ter problemas futuros…rs. Foto por Camila Pimenta

Sobre o aeroporto em Addis Ababa:

Sim, realmente ele é bem simples e não possui várias coisas básicas, como por exemplo bebedouros para tomarmos água, uma internet que funcione (eles oferecem a mesma, mas em nenhum momento funcionou), um local para que você possa sentar com seu laptop (work station). No banheiro faltava toalha para secar as mãos todas as vezes que fui utilizar e em alguns banheiros o cheiro não era agradável. Para a ida ao Brasil a conexão foi de uma hora e na volta foram 5 horas. Na ida eu nem reparei nestes detalhes acima, pois foi tudo bem corrido, mas na volta como tinhamos mais tempo estes pequenos detalhes fizeram falta, mas nada que me fizesse ficar estressada.

Um dos banheiros no aeroporto de Addis Ababa – Foto por Camila Pimenta

Ou seja, eu recomendo sim viajarem por esta empresa caso queiram/precisam economizar, mas se possível façam uma conexão curta em Addis Ababa.

Ah, e antes que me esqueça, eu achei os atendentes muito prestativos. Toda vez que precisava de algo as aeromoças sempre me atendiam muito bem.

Espero ter ajudado com este texto aqueles viajantes que procuram informações como esta. Qualquer dúvida me escrevam por aqui. 😉

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O que deu o que falar na Índia?

No último dia 8, às 19:30 PM, eu recebi uma mensagem no WhatsApp de uma conhecida indiana me contando que as notas de 500 e mil rúpias (as mais altas na Índia) não estariam sendo mais válidas a partir da meia noite do mesmo dia.

Para ser sincera quando eu li o conteúdo do texto eu achei que fosse uma brincadeira e não dei bola, mas depois de alguns minutos outras mensagens começaram a chegar e eu fui logo ligando a TV, no canal de notícias, onde me deparei com um pronunciamento do Primeiro Ministro informando sobre a mudança, com o intuito de acabar com o dinheiro ilegal que consta no país, além do dinheiro que está ajudando a financiar os conflitos na divisa com o Paquistão e também para controlar de agora em diante os valores recebidos entre os indianos, pois o valor de imposto de renda pago na Índia é super irrelevante (apenas 1% da população paga este imposto), e por isto a Índia ainda possui muita pobreza, pois o governo não possui tanto recursos para conseguir realizar algo e melhorar a situação.

Neste link, aqui, da Folha de São Paulo há mais detalhes da desmonetização.

Toda a estratégia da mudança ocorreu em segredo, e apenas 3 pessoas sabiam, pois não era para alertar ninguém sobre esta alteração.

Por sorte eu não tinha comigo muitas destas notas antigas, mas vocês não fazem idéia da loucura que foram os primeiros 10 dias desta mudança de notas.

Muitas fábricas pararam, pois os funcionários não estavam indo trabalhar, tendo em conta que eles precisaram trocar o dinheiro que possuiam, lojas fecharam, fazendeiros começaram a fazer greves, empresas de logísticas que aceitam receber apenas em dinheiro em espécie não aceitavam receber as notas antigas e por isto muitas mercadorias ficaram paradas, os pedágios tiveram que serem abertos e por isto durante os 4 primeiros dias não houve pedágios no país.

Para caso tenha curiosidade, as regras para trocar o dinheiro estão sendo:

  • Você pode trocar apenas 4 mil rúpias – notas antigas por notas novas – por PAN Card (seria como um CPF no Brasil), e para isto você precisa enfrentar filas enormes – e esta troca pode ocorrer apenas uma vez;
  • O restante do seu dinheiro você precisa depositar na sua conta bancária, e apenas você pode depositar, ou seja, se eu for com dinheiro e quiser depositar na conta de uma amiga não é permitido;
  • Se eu depositar até 2,5 lakhs (+ ou – 12.500 reais) eu não preciso pagar nenhum imposto, mas se for um valor acima disto as multas e impostos são altíssimos, conforme explicação na imagem abaixo:

Informações sobre pagamento de imposto

Nos primeiros dias (até o dia 24 de Novembro) estava sendo permitido usar as notas antigas em/para:

  • Postos de gasolina;
  • Farmácias (com apresentação de receita médica e ID);
  • Hospitais;
  • Compra de gás;
  • Crematórios ou cemitérios;
  • Locais do governo que vendem leite;
  • Conta de água e luz; e,
  • Compra de passagem de trem.

O que ocorreu no dia a dia, após esta mudança:

  • Muitas pessoas pagavam aqueles que não possuem dinheiro para ficarem nas filas de Bancos, e trocarem o dinheiro para eles – até mesmo uma start up começou a oferecer este serviço, cobrando 90 rúpias para ficar na fila para você;
  • Vários empresários indianos estão entregando dinheiro para funcionários de confiança, para estes depositarem em suas contas, e irem tirando o dinheiro aos poucos, e devolvendo para os mesmos;
  • Há casos de indianos bem relacionados, e com muito black money, que pediram para donos de postos de gasolinas trocarem as notas antigas por notas menores, de 100 rúpias. Conheço um caso que o indiano entregou para o amigo que possui posto de gasolina o valor de 1 milhão de rúpias, e este trouxe esta quantia em notas de 100;
  • O dólar subiu;
  • Ocorreu vários casos de falecimentos em filas de bancos, sendo a maioria de pessoas idosas que estavam enfrentando filas e tiveram um ataque no coração; e,
  • Os templos arrecadaram o maior número de dinheiro da história, em doações, recebendo inúmeras notas de 500 e mil rúpias.

Há uma discussão que a maior parte do dinheiro ilegal dos indianos não se encontra na Índia, mas sim em paraísos fiscais, ou em dólares.

Problemas:

  • Não houve nenhuma medida tomada com relação aos turistas. A Índia abriu recentemente a possibilidade de visto na chegada do país, e o aumento do número de turistas cresceu muito, e esta atitude de não pensar nos estrangeiros que estão visitando o país está deixando uma impressão bem ruim, pois eles não podem usar este dinheiro nem para comprar ingressos em pontos turísticos, e os números de telefones de serviço aos turistas não sabem informar sobre nada. Texto sobre isto aqui;
  • Há um mercado negro se formando para a compra das notas antigas, pagando um valor mais baixo, por exemplo, se você possui notas antigas e não tem como se explicar para o governo, eu compro de você por um valor bem mais abaixo;
  • Houve vários casos de pessoas que tiveram que adiar o casamento, pois o que ocorre na Índia é que as famílias guardam a vida inteira o dinheiro dentro de casa, para pagar os gastos com o casamento dos filhos(as), e esta mudança ocorreu justamente na época que há mais casamentos aqui na Índia (wedding season);
  • Apesar do governo ter avisado que os locais mencionados acima poderiam receber as notas antigas, muitos deles não tinham certeza e por isto não estavam aceitando, com medo de perderem o dinheiro recebido.

Curiosidades:

  • Segundo previsões do governo indiano, levará cerca de 3 a 6 meses para que tudo volte ao normal;
  • Os Bancos indianos arrecadaram mais de 30 bilhões de dólares em dinheiro, nas duas primeiras semanas;
  • A troca e os depósitos das notas antigas poderão ocorrer até o dia 30 de Dezembro apenas, o que é um período muito curto, para uma população do tamanho da Índia;
  • O Primeiro Ministro já recebeu ligações com ameaças de morte, após ter realizado a desmonetização – apesar de ser pouca é a porcentagem da população que esta descontente com a troca da moeda.

“O real Hotel Marigold” – documentário BBC

Você já pensou em se aposentar e vir morar na Índia – por conta do custo baixo de vida e da “tranquilidade”? Pois é…o canal britânico, BBC, realizou um documentário sobre como seria o real ‘Marigold Hotel‘, trazendo ingleses com mais de 60 anos para virem morar por algumas semanas em Jaipur (cidade em que eu vivo desde 2013). Este documentário foi feito em 3 partes, e vale a pena assistir, se você curte a Índia.

Abaixo um breve trailer de como é este documentário – pois o conteúdo integral foi retirado do Youtube.

Infelizmente, como a maioria das informações que possuímos sobre este país, a BBC fez com que víssemos mais o lado típico indiano, como por exemplo:

  1. Os ingleses moram no meio da Pink city, em um Hotel – Ok, o Hotel é bom e limpinho, porém NUNCA conheci um estrangeiro que morasse no meio da muvuca que é a cidade rosa;
  2. A BBC faz com que os participantes vão de Jaipur para Agra de trem, em classe normal! Sério? É isto mesmo produção? Não há a necessidade de faze-los passar por isto. Alugar um carro sai super em conta e é bem mais confortável, além de que se for de trem, que vá em primeira classe, já que o valor é bem barato para quem ganha em libras;
  3. Em uma parte do primeiro episódio eles mostram uma das inglesas utilizando um banheiro público. Eu nunca fui nestes banheiros e não conheço ninguém que seja estrangeiro e que tenha ido. Mesmo na Pink city há restaurante com um bom banheiro que pode ser utilizado;
  4. Neste mesmo episódio mostra alguns estrangeiros indo até um local onde vende a carne de frango fresca, ou seja, você escolhe o frango e eles matam o mesmo na hora – porém, há também açougues em que os estrangeiros que vivem em Jaipur não precisem passar por isto;
  5. Por último, o que eu achei mais absurdo foi mostrar o moço indiano da casta Meena, dizendo que ele não consegue um bom emprego em agências de turismos por conta da casta dele, e além disto ele diz que ganha 2 mil rúpias por semana. Eu tenho amigas que conhece ele e me disseram que ele trabalha como guia de uma empresa de turismo, e que ele ganha sim mais do que esta quantia.

Sobre a pergunta acima “morar na Índia após se aposentar”: Eu não consigo imaginar a minha avó, que tem mais de 70 anos, morando aqui.

Acho que se você já estiver morando na Índia, quando alcançar uma certa idade, tudo bem, porém se mudar para cá por tempo integral, após se aposentar, eu não vejo lógica, a não ser que você não tenha família em seu país de origem e tenha uma saúde muito boa.

Sim, a Índia possui um custo de vida muito mais em conta, mas creio que a mudança repentina, de uma vida ocidental para a Índia, quando estiver com uma certa idade, pode deixar a pessoa muito estressada, por conta da grande diferença cultural e das dificuldades em conseguir as coisas de uma forma mais simples.

Depois me contem o que acharam do documentário. Adoro quando recebo opniões de vocês. 🙂

A situação do trabalho em fábricas indianas.

Já faz um tempo que eu recebi uma apresentação de um grande amigo meu que falava sobre a situação do trabalho em fábricas indianas.

Este amigo me enviou esse e-mail com o intuito de saber se o conteúdo que ele tinha visto era verídico.

Na apresentação constava várias imagens de indianos trabalhando em situações precárias, porém meu amigo percebeu que as feições dos trabalhadores eram normais e havia até alguns sorrindo.

A minha resposta foi a seguinte: “Pois é, realmente TUDO o que foi mencionado nesta apresentação é verdade”.

Quando eu vim para cá eu tinha uma visão totalmente diferente, porém hoje em dia eu compreendo melhor o “sistema”. E vou tentar te explicar aqui! 😉

Todo mundo deve saber que a mão de obra na Índia é MUITO barata, e se você for empresário sai mais barato contratar vários funcionários do que instalar inúmeras máquinas na sua empresa (dependendo do segmento que você atua), pois diferente do governo Chinês, o governo indiano não subsidia a energia no País.

Um dos motivos que faz ser tão barato a mão de obra é que a comida também é muito em conta aqui (me refiro a comida que os indianos vegetarianos, simples, estão acostumados). Além de eles terem um sistema de saúde de graça, mesmo que não seja bom.

Um exemplo para Vocês entenderem melhor como que funciona: A empresa que eu trabalhava possui cerca de 4 mil funcionários, sendo a maioria mão de obra nas fábricas e poucas pessoas nos escritórios centrais, os quais possuem ar condicionado e demais facilidades normais para nós brasileiros. Esta empresa possui clientes internacionais com várias lojas pelo mundo, e estes clientes para comprar de fábricas indianas impõe algumas regras, tais como, não ter trabalho infantil, a jornada de trabalho dos trabalhadores precisam ser de ‘X’ horas por semana, entre outras coisas. Estas empresas contratam escritórios indianos de grandes cidades, tais como Delhi e Mumbai para checar tudo isto, mandando relatórios mensais para eles….estas empresas estrangeiras fazem isto para não terem problemas sociais com as ONGs em seus Países.

Há empresas indianas boas, e super grande – No meu caso eu tento sempre trabalhar com estas. Porém, existe sim várias fábricas que possuem crianças trabalhando mais de 10 horas por dia. 😦

Os trabalhadores às vezes dormem nas fábricas, às vezes não, pois muitos tem a família nas Vilas que ficam afastadas e por isto precisam dormir nas fábricas, para conseguirem trabalhar no outro dia.

Na Índia existe ações trabalhistas, com certeza, pois existe lei para tal, mas o que ocorre é que dificilmente há Sindicatos.

Se você for pesquisar encontrará a maioria das ações relacionadas às pessoas que trabalhavam em Bancos, escritórios, ou seja, pessoas mais educadas, com diploma universitario, MBA.

Sendo assim, os trabalhadores não possuem noção do que pode e o que não pode.

Um artesão, de uma Fábrica boa de móveis, por exemplo, ganha mais ou menos 30 mil rúpias por mês, se ele trabalhar muito bem. Isto se refere a mais ou menos USD 500 (quinhentos dólares), o que é um bom salário na Índia, porém ele não se importa em se vestir bem, dormir bem…estas pessoas possuem outros valores. O importante é ter dinheiro guardado, ajudar no Templo, comprar jóias, ajudar pagar o dote para a filha, sobrinha ou qualquer garota da família….se sobrar dinheiro: comprar um carro, moto…enfim…são valores totalmente diferente dos nossos (ocidentais). Eeee, a maioria da população acredita em Karma, que seria mais ou menos: eu estou neste trabalho agora pois em outra vida eu fiz algo de errado.67

É claro que isto não se enquadra para todo mundo. Há pessoas com os salários muito baixo, 5 mil rúpias por mês, porém eles conseguem viver desta forma, pois além da comida ser muito barata, eles moram com mais um monte de pessoas, pois na Índia a maioria da população não deseja a sua liberdade após casar ou terminar a Faculdade (conforme vemos no Ocidente). Tenho amigos que moram com mais de 20 pessoas, entre as quais são todas da família.

Espero ter ajudado Vocês que seguem o blog a compreender um pouco mais sobre o sistema neste País! Mas caso tenha ficado alguma dúvida, podem me escrever aqui nos comentários, que tentarei responder o que eu aprendi nestes meus mais de 2 anos e meio de Índia. 🙂

Informação útil: texto para o blog ‘Brasileiras pelo Mundo’.

Vocês sabiam que há um número alto de indianos procurando brasileiras (e outras estrangeiras) para casar?

Para facilitar a vida das várias mulheres que entram em contato comigo por e-mail, questionando sobre o que fazer com o relacionamento virtual que esta envolvida, eu escrevi um texto para o blog ‘Brasileiras pelo Mundo’ no mês passado:

Índia – Relacionamento com indianos

Abaixo uma imagem que demonstra bem o que eu estou querendo dizer:

Print screen

Na página do Facebook da Embaixada do Brasil em Nova Delhi sempre há indianos questionando quais são os documentos necessários para se casar com uma mulher brasileira, até mesmo em posts que não possuem nada relacionado ao assunto.

Também já escrevi um outro artigo sobre Namorar e casar na Índia. Caso não tenha lido, vale a pena conferir. 😉

Acho sempre válido saber este tipo de informação, para ajudar alguém que um dia possa passar por isto.