O que eu ainda não compreendo.

Há um ditado que diz o seguinte: “Não rir, nem lastimar, apenas compreender”.

Sempre tento lembrar disso quando vejo algo que não concordo. Porém, em termos internacionais tal atitude é muito difícil.

Eu sempre respeitei e continuo respeitando as opções e culturas diferentes das outras pessoas, mas posso dizer que a Índia me fez abrir os olhos para muitas coisas que não aceitava anteriormente.

Por exemplo, hoje em dia eu compreendo o porquê os indianos não comem carne de vaca (é muito complexo para tentar explicar nesse humilde blog) e até a questão dos casamentos arranjados pelas famílias.

Entretanto, há duas coisas que não entra na minha cabeça:

  1. O modo como eles andam de moto! Conforme vocês podem observar na imagem abaixo, é NORMAL colocarem a família inteira na moto, mesmo não sendo permitido. Como dizia o meu avô, nós temos que dirigir para nós e para os outros ao nosso redor, por isso sempre que vejo uma situação como essa me dá um aperto no coração, pois penso que pode aparecer um carro e machucar as crianças.
  2. Lixo nas ruas! A maioria dos indianos não sentem nenhum remorso e nenhum constrangimento em jogar lixos nas ruas.

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Contudo, mesmo com esses pontos que não entendo e não acho correto, posso afirmar que há muita coisa linda e extraordinária nesse País, e que existe ainda muitos acontecimentos para eu vivenciar e muito o que aprender com esse povo. 😉 

Nova Delhi!

Abri exceção mais uma vez e resolvi ir para Nova Delhi nesse último final de semana.

Tudo por uma justa causa, já que foi aniversário da minha roommate, Nathália, e queríamos comemorar comendo no Hard Rock Café (sim, às vezes somos chiques)!

A maioria das pessoas que vem para a Índia passa por Nova Delhi, tendo em vista que essa cidade é a Capital do País, e que lá podemos encontrar de TUDO.

Uma coisa que me fez gostar muito dessa cidade foi o verde das árvores nas ruas, conforme foto abaixo, e muitas avenidas limpas.

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Por conta disso, o cheiro da cidade é diferente em algumas partes – me refiro que em alguns pontos não sentimos aquele aroma de temperos no ar, que para mim é o que mais identifica a Índia até agora.

Além do verde, notamos inúmeros prédios com arquiteturas modernas, que me fizeram lembrar muito de São Paulo, sem contar o metro, que é ótimo e barato (limpo, com muitos policiais e ar condicionado).

Não conseguimos fazer muitas coisas, por conta que choveu o dia inteiro no sábado, dessa forma, visitamos apenas:

  • Sarojini Market: trata-se de uma área que vende inúmeros produtos muito em conta. Se você estiver com o intuito de realizar umas compras, mas não pode gastar muito, vale a pena passar por lá.

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  • Hard Rock Café: fomos com o intuito de comer carne de vaca, pois me falaram que lá tinha, porém é carne de búfalo – boa também.
  • Humayun tomb: trata-se do lugar que serviu de inspiração para o Taj Mahal. Ele é considerado pela UNESCO como um patrimônio mundial. Aqui tem maiores informações: http://en.wikipedia.org/wiki/Humayun’s_Tomb (entrada para estrangeiro custa 250 rúpias, e para indiano apenas 10 rúpias).

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  • Karim restaurante: é o restaurante não vegetariano mais famoso de Nova Delhi, e os livros de turismo e sites sempre o indica, contudo já comi em lugares melhores (to ficando exigente aqui…hahaha)!
  • Hauz Khas Complex http://en.wikipedia.org/wiki/Hauz_Khas_Complex

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Curiosidades:

  • Não há vacas no centro de Nova Delhi, pois não é permitido, devido ao alto fluxo de carros;
  • Humayun tomb foi o único lugar turístico de grande procura que eu visitei até agora que não tinha nenhum segurança na entrada para revistar bolsas e nem detector de metais, pois tal ponto turístico pertence aos muçulmanos, e esses não destruiriam algo que pertence a eles (falo isso por conta dos problemas que existem entre a Índia e o Paquistão – farei um post sobre tal fato mais para frente);
  • Descobrimos, ao comprar as passagens, que há poucas semanas o Primeiro Ministro da Índia criou uma lei que faz com que as passagens de ônibus para mulheres sejam mais baratas – para mulher custava 497 rúpias e para homens 697 (esse valor é o do melhor ônibus que existe para Delhi). O ônibus é muito bom, com ar condicionado e assento, conforme temos no Brasil. O trajeto Jaipur-Delhi leva cerca de 6 horas de ônibus, se não tiver trânsito;
  • Os motoristas de Rickshaw de Nova Delhi têm que vestir um uniforme, e caso não estejam com a roupa correta eles são multados. Isso ocorreu com um motorista que estava nos levando, e tivemos que ficar esperando, enquanto esse tentava se justificar, porém recebeu a multa da mesma forma.

Dicas:

  • Os Rickshaw são a melhor forma para você se locomover por Delhi, se tiver pouco tempo e quiser conhecer os pontos turísticos, contudo eles são pequenos (cabe no máximo 4 pessoas, sendo que uma tem que sentar ao lado do motorista), e é bom sempre ter trocado para pagar a corrida;
  • Se pensarem vir para a Índia, evitem viajar nessa época do ano (final de junho, julho e começo de agosto), pois chove demais e as ruas ficam impossíveis de andar.

Nessa viagem eu gastei um pouquinho a mais do que o esperado, pois fiz umas comprinhas, sendo assim, não vou escrever exatamente o quanto que eu gastei, mas só para vocês terem uma noção, a ida e a volta para Delhi, saindo de Jaipur, no melhor ônibus, custa cerca de 40 reais.

Curiosidade – parte 6

Como todos sabem a maioria da população indiana é vegetariana, e em alguns casos o fato de comer carne, até mesmo que por acidente, é um pecado mortal para eles.

Sendo assim, para haver um controle disso, todas as embalagens de produtos alimentícios tem que possuir uma bolinha verde, quando o alimento é vegetariano ou uma bolinha vermelha, se o item contiver carne, conforme imagens abaixo.

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Além disso, é interessante o fato de que podemos encontrar o preço de qualquer item na própria embalagem do produto.

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Neste caso o item custa o equivalente a 25 rúpias.

Acho isso ótimo, já que muitas vezes no Brasil temos que ficar pesquisando o preço no caixa, antes de comprar, pois a plaquinha da prateleira sumiu, ou muitas vezes o preço está errado na hora de passar a compra.

Curiosidade – parte 5

Quando vi pela primeira vez a imagem abaixo confesso que eu imaginei que fosse uma casa de uma pessoa sem condições financeiras, que não tinha aonde morar e que construiu tal casinha de palha na rua, para poder fugir de um ambiente aberto.

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Porém, após me deparar com VÁRIAS casinhas dessas, eu questionei um indiano se as pessoas podiam ter essas casas em qualquer lugar da cidade, e este me informou que trata-se de um projeto do governo, para distribuir água gelada para a população, e que podemos encontrá-las em pontos estratégicos da cidade.

Durante o período da manhã e da tarde uma pessoa é contratada para ficar dentro desse espaço para entregar água para quem pedir.

Conforme disse um amigo meu: “enquanto estamos trabalhando, há muitas pessoas fazendo o possível para que tenhamos um dia melhor”. =)

#Fica a dica Brasil!

Livros

O livro ÍNDIA, do autor Jean-Claude Carrière, é um livro que me ajudou muito a começar a tentar compreender um pouco sobre a Índia.

Ele é formado como se fosse um dicionário, onde podemos entender sobre lugares que muitas vezes não estão na lista dos mais visitados entre os turistas, como é o caso de Bijapur, além de curiosidades sobre esse País.

Abaixo constam dois trechos desse livro, para vocês terem uma idéia:

“Quem não gosta dos homens não deve ir à Índia. É impossível visitar esta república singular confinado num ônibus de turistas, de monumento a monumento, com os olhos fechados para o país e para seus povos. Façanha inconcebível, irrealizável. A multidão é aqui a principal paisagem.”

“A Índia nos arranca de nós mesmos, seja por repulsa, por atração, ou pela mais forte das curiosidades, aquela que não sabe o que busca, nem o que pode esperar temer. Uma surpresa a cada piscar de olhos. Uma incessante provocação ao olhar e ao pensamento.”

Obs.: Adquiri tal exemplar por trinta reais na estante virtual.

Além desse livro recomendo às pessoas que vierem para cá comprarem o guia da Lonely Planet sobre a Índia.

No Brasil um novo custa por volta de 100 reais, conforme tela abaixo, já aqui na Índia, custa o equivalente a 60 reais.

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Sendo assim, se você for morar por um tempo na Índia, compensa adquirir por aqui mesmo. 😉