Indian traditional chulha

Recentemente houve uma matéria sobre a Índia no programa da Rede Globo ‘Profissão repórter’ (Aqui), e em uma parte do programa o Caco Barcelos falou sobre o material que os indianos utilizam para fazer fogo, qual seja, o esterco de vaca.

Porém ele não citou, pelo menos na parte da matéria que eu assisti, que esse hábito acontece apenas nas Vilas mais pobres. Em uma casa normal, na cidade, as pessoas utilizam botijão de gás, da mesma forma que usamos no Brasil.

As indianas utilizam esse esterco seco na traditional chulha, conforme imagem abaixo tirada da internet.

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Aqui em Jaipur podemos encontrar esse material muito fácil, no Centro e nos bairros mais afastados, e mesmo sendo esterco da vaca, após estar seco não possui odor nenhum (sim, eu testei).

Na primeira vez que eu vi esse material na rua para vender, eu questionei o que era para um indiano da AIESEC que estava comigo, e ele me respondeu que as pessoas colocavam isso no telhado para deixar a casa mais fresca (resumindo: ar condicionado de pobre), porém não é utilizado para isso!

É muito comum ver os próprios indianos se confundirem nas respostas que lhe passam, ou seja, é aconselhável sempre perguntar para mais que uma pessoa, sobre qualquer tema.

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Ainda falando sobre as mulheres….

Acabei esquecendo de comentar que aqui na Índia uma mulher é bem-quista se ela possuir as seguintes características:

  1. Ter a pela mais clara – lembrando que para eles ter a pela clara significa para nós o mesmo de ter a pele bronzeada – não precisa ser clara igual das europeias;
  2. Não ter tido outros relacionamentos;
  3. Ser de uma casta igual a do companheiro; e,
  4. Ser formada, mas não tão sábia, pois não é bom que a mulher seja mais informada que o homem.

Além disso, antes do casamento tradicional sempre há a leitura da mão da mulher e o estudo numerológico do dia do aniversário desta, para a família do noivo obter conhecimento sobre a futura esposa.

Já havia lido essas informações em um livro, e as confirmei aqui na Índia, não apenas com uma pessoa, mas sim com várias.

Achei interessante repassar para vocês que seguem o meu blog o texto abaixo. Sei que não está no contexto, mas li tal conteúdo nesse mesmo livro citado acima, e gostei MUITO:

“Se você tem a coragem de deixar para trás tudo que lhe é familiar e confortável (pode ser qualquer coisa, desde a sua casa aos seus antigos ressentimentos) e embarcar numa jornada em busca da verdade (para dentro ou para fora), e se você tem mesmo a vontade de considerar tudo que acontece nessa jornada como uma pista, e se você aceitar cada um que encontre no caminho como professor, e se estiver preparada, acima de tudo, para encarar (e perdoar) algumas realidades bem difíceis sobre você mesma…então a verdade não lhe será negada.” – Elizabeth Gilbert (Comer, Rezar, Amar)

Termino este post com um aviso: se você é mulher, solteira, fala inglês e quer casar, me escreva!! Tenho vários indianos para lhe apresentar! 😉 (To falando sério!)

Mulheres indianas

Semana passada eu tive várias conversas, com diferentes indianos, sobre as mulheres daqui. A primeira coisa que sempre falo é: “Porque há tantas mulheres lindas aqui e não ocorre o mesmo a respeito dos homens!?”. Bom, eles nunca possuem uma resposta para esta minha pergunta…apenas sorriem e dizem: “É, realmente, aqui nós temos muitas mulheres bonitas”.

(Observação: Para alguns deles eu já sou conhecida como a garota que gosta de falar, ou melhor, questionar. Eu pergunto TUDO, a todo o momento: o porquê disso, o porquê daquilo e tento repassar um pouco de como é no Brasil, para aqueles que demonstram interesse).

Fiquei sabendo que o governo do Estado do Rajastão, o qual é o Estado onde moro, providencia uma ajuda de custo para a família, quando há o nascimento de meninas, para incentivar o nascimento de mais mulheres (depois dessa informação eu entendi o porquê um dos homens que trabalha comigo me disse que gostaria muito de ter uma menina…rs).

Além disso, esse Estado ajuda a família a pagar os gastos com o casamento, se a família não tiver recursos, tendo em vista que, segundo a tradição, é apenas a família da mulher que arca com as despesas desse dia, além de pagar um dote para o homem, pois esse cuidará da esposa a partir do casamento, providenciando para ela casa e comida até o final de suas vidas.

Interessante informar que sempre observo e quase não vejo mulheres indianas nas ruas no final da tarde, quando volto do trabalho. Parece que, as poucas que restam, foram engolidas pela terra. Além disso, há realmente pelo menos o triplo de homens em comparação com a quantidade de mulheres.

Porém, ao entrar nas ruas onde há casas de família, e olharmos as janelas e os portões, podemos enxergar várias indianas paradas observando o movimento e/ou conversando com suas vizinhas. Sendo assim, questionei sobre isso, e fui informada que realmente essas mulheres não saem muito de casa. E quando questionei o porquê, recebi a seguinte resposta: “Apenas porque é assim”.

Outra coisa que acho relevante repassar é que para estas mulheres é normal fazer aborto. (Sim, isto mesmo!) Em uma conversa entre uma das meninas que mora comigo e sua chefe, esta informou que já realizou dois abortos, e que não consegue imaginar uma mãe criando um bebê sozinha, fato que ela sabe que acontece muito no ocidente, e ela não compreendo o porquê essas mulheres não realizam aborto. (Informação: essa mulher é casada e só realizou os abortos porque achou que não estava na hora de ter filhos, pois já possui uma criança pequena).

Importante lembrá-los que não podemos generalizar, pois estou repassando a minha visão do meu dia a dia aqui e que moro em uma cidade super tradicional, ou seja, o sistema pode ser diferente em Delhi, Mumbai, Chennai e em outras grandes cidades.

Ida ao hospital

Nessa última quinta-feira estive em um Hospital Indiano, para acompanhar minha amiga Mexicana que havia torcido o tornozelo e estava com receio de que este tivesse fraturado.

Nunca gostei de entrar em hospitais, mas tenho que confessar que quando ela me disse “Preciso ir para um hospital”, eu fiquei animada, pois desde que cheguei aqui eu estava curiosa para saber como o sistema de saúde funcionava.

Há um hospital bem próximo de casa, sendo assim, esse foi a nossa primeira escolha….e que péssima escolha…Havia apenas três pessoas dentro dele. Um telefonista, um enfermeiro e o médico (os quais todos tinham cara e roupas de telefonistas).

Quando entramos no recinto e falamos o que havia acontecido o enfermeiro nos encaminhou para a sala dos fundos, e cinco minutos depois o médico apareceu, com cara de que estava dormindo.

Ele nem encostou a mão na minha amiga para examiná-la e já escreveu uma receita dos remédios que ela tinha que tomar. E disse que não poderia fazer mais nada, pois eles não possuíam recursos para enfaixar o pé e etc., e que se ela quisesse ela poderia voltar no próximo dia.

Logo após nos entregar a receita ele voltou a dormir na recepção do Hospital, conforme foto abaixo:

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Na sequência chegou o enfermeiro na sala, o qual pediu para que pagássemos a consulta, no valor de 150 rúpias, o equivalente a R$ 6,00.

Por conta deste “ótimo” atendimento, resolvemos ir para outro hospital, o qual é bem maior, mas fica afastado de casa.

O médico desse segundo hospital a examinou e pediu um Raio-X, para ter certeza que ela não havia fraturado nada (tal aparelho era de um modelo pré-histórico, mas funcionou).

Esse hospital é público, sendo assim, ela não precisou pagar a consulta, os remédios, e nem o raio-x, mas apenas a  atadura de algodão, que precisamos comprar em uma lojinha na frente do hospital e trazer para o médico (Esta custou o equivalente a R$ 5,10).

Ambos os hospitais são MUITO sujos, sem lençóis limpos e as roupas dos enfermeiros e médicos, que supostamente deveriam ser branca, eram quase cinzas! Contudo, posso dizer que o atendimento desse segundo hospital foi adequado.

No outro dia o pé dela ainda estava dolorido, dessa forma um dos integrantes da AIESEC de Jaipur a levou em outro hospital, mas eu não estava presente, por estar trabalhando, e segundo ela, nesse hospital o atendimento foi muito melhor e o ambiente era muito mais limpo, porém ela precisou pagar.

Final da novela: Ela não havia quebrado nada, mas sim apenas torcido o tornozelo, e agora ela terá que ficar de repouso por um mês…

Observação: não fomos sozinhas para ambos os locais. Tinha um indiano com a gente, o qual é amigo de todos os estrangeiros de Jaipur. Sem ele não sei se teríamos conseguido, tendo em vista que os atendentes dos hospitais não falam inglês e esse indiano amigo nosso tinha que ficar traduzindo tudo.

Vamos ao Cinema?

Para a minha felicidade uma das meninas que mora comigo descobriu um cinema perto de casa!

E ainda melhor do que isso: É da rede de cinemas Cinépolis!! Ou seja, o estilo deles é muito mais organizado, limpo e possui filmes internacionais (leia-se americano).

O filme que assistimos ontem se chama “Chashme Baddoor”.

Abaixo cartaz do filme:

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O enredo do filme é basicamente sobre três amigos que se apaixonam pela mesma garota.

O filme foi inteiro em híndi, sem subtítulos, mas por ser comédia deu para entender todo o contexto, porém não dava para compreender certas piadinhas dos personagens, e eu e as outras duas estrangeiras, que estavam comigo, ficávamos com cara de retardadas, quando o cinema inteiro caia na gargalhada.

Observações de coisas diferentes entre o cinema indiano e o cinema brasileiro:

1)      O filme estava previsto para começar às 21h40min, mas por conta dos diversos trailers o filme iniciou apenas às 22h03min – mais de 20 minutos assistindo trailers! ¬¬

2)      Antes de cada trailer aparece a imagem de um documento oficial do governo indiano, para comprovar que esse filme possui autorização para passar no cinema;

3)      Além dos trailers, o cinema passa uma propaganda antitabagismo mostrando pessoas doentes nos hospitais, que estão com câncer por conta do cigarro. Achei super dispensável essa propaganda, pois as pessoas tendem a ir ao cinema para se divertirem e não ver seres humanos em situações reais degradantes, na maca de um hospital;

4)      Também durante o filme, toda a vez que um personagem ia fumar, aparecia escrito na tela: “Fumar faz mal à saúde”.

5)      Por conta de o filme ser longo, com duração de duas horas e quarenta minutos, o cinema faz um intervalo, para as pessoas poderem ir ao banheiro, ou comprar algo para comer (me informaram que não há filmes indianos com menos tempo do que isso);

6)      O som do cinema é super, hiper, mega alto. Não dá para escutar NADA além do filme;

7)      O ingresso é muito barato. Paguei 160 rúpias, o equivalente à R$ 6,20;

8)      A cena de beijo foi a mais engraçada em minha opinião, pois os atores não se beijam de verdade, eles simplesmente encostam seus rostos um no outro e ficam movendo a cabeça, com a câmera focada no cabelo da atriz (acho que cenas de beijos não são admitidas, mesmo sendo esse filme permitido apenas para pessoas acima de 18 anos – no Brasil seria classificação livre…rs); e,

9)      Há o ingresso VIP, onde as cadeiras ficam no fundão do cinema, e essas são mais confortáveis, pois deitam para trás e você tem o serviço de garçom disponível. Para esse ingresso o valor era de 300 rúpias, mas não achei necessário comprar esse ingresso mais caro.

O filme era legal, mas não bom! Se você que ler esse post assistir qualquer filme indiano você vai entender o que eu vou escrever:

  • Os personagens agem de forma falsa. Parecem amadores. Eles me fizeram lembrar da Sandy, cantora, quando era pequena, encenando a música Maria Chiquinha…Aquela forma forçada de olhar e atuar…..tipo os comediantes conhecidos como “Gordo e o Magro” (o que para a época e estilo era uma coisa legal, mas hoje em um filme, não vejo graça).
  • Há muita música e muita dança, fatores que não me atraem, pois eles exageram demais…(Lembrei muito da minha amiga Rafaela, que odeia esse tipo de coisa..hahaha)

Enfim, sei que isso é cultural, e totalmente compreendo o cinema de Bolllywood. Já estava preparada para tudo isso, mas acho interessante compartilhar todos esses detalhes, para caso quem leia esses posts tenha interesse de vir para cá um dia.

Obs.: esse não é o primeiro filme indiano que assisto. Na vinda para cá assisti dois filmes dentro do avião, e já havia visto algumas partes de outros filmes quando estava no Brasil. Ou seja, as críticas acima são baseadas em mais de um filme. 😉